Antes da meta, o desejo!
Um olhar canceriano sobre organização.
Hoje eu quero ser o ápice do meu signo solar, o completo estereótipo do Drama Queen, e falar sobre organização de um jeito bem peculiar, canceriano que sou.
Topei participar do projeto Cadernos Compartilhados da amiga Jeniffer Geraldine, onde, com um tema por mês, os participantes escrevem suas versões, compartilhando assim, de forma digital, suas escritas. E, para janeiro, o tema é Organização 2026.
Preciso confessar que, ao ler o tema na lista em seu blog, minha cabeça concatenou sobre os planejamentos de ano novo. Só que este ano eu não fiz isso. Não quis fazer isso. E foi aí que eu travei sobre o que escrever a respeito do tema.
Li, inclusive, algo que amarra bem esse movimento: a organização, ou a meta de final de ano, é apenas uma exigência do calendário ou um desejo que realmente nasce em mim?
Dizem, na psicanálise, que o desejo é o que nos move de verdade. Então, se a meta não parte desse movimento natural do meu coração, sendo bem canceriano aqui, ela deixa de ser direção e vira bagunça, peso, cobrança. Um compromisso que não se sustenta, porque não pulsa.
Hoje, mais precisamente no dia 06 de janeiro de 2026, me peguei pensando que a organização, para mim, precisa ser interna. Não adianta nada eu faxinar a casa, separar roupas para doação, lavar o banheiro e deixar o piso nos trinques se, internamente, no peito, a poeira se acumula e eu ignoro os traumas que permanecem intocados, como móveis cobertos por tecidos brancos em uma casa assombrada…
Não sou uma casa assombrada e muito menos desabitada. Sou um corpo e, sendo assim, sou meu próprio lar.
Entendeu agora o início deste texto? Eu avisei que seria bem canceriano. Vai continuar aqui comigo?
Voltando aos fatos, agora que me justifiquei, fiquei mais leve ao colocar para fora que meu peito é assim, aquoso, sentimental. E, em 2025, aprendi, da forma mais dura, sobre a importância dessa organização emocional.
Eu acreditava, tolo inocente, que prevalecer a racionalidade me faria, além de conquistar as coisas de uma forma mais fácil, transitar pela vida sem tantas dores. Enganado fui e me deixei ser.
Não adianta nada escolher a razão se eu não dou conta da emoção. Uma hora a conta não vai fechar. A lista da vida não é tão simples como a do supermercado. Não dá para sair riscando o que conquistamos. Quer dizer, dá sim. Porém, é preciso olhar para dentro, sempre. Ou, como na analogia dos móveis empoeirados, a bagunça interna vai se acumulando…
Antes de qualquer passo, é preciso olhar para dentro.
Por isso, a organização de 2026 começou no íntimo, no âmago, no silêncio. No exercício de, enfim, entender a importância de dar tempo ao tempo. De saber ouvir o vento. Curar antes de recomeçar. Caminhar de peito aberto e cabeça erguida.
Para as metas que, para mim, estão ligadas à palavra organização e planejamento, eu só peço casa, e que esse lugar seja quem sou, minha própria voz antes de qualquer barulho externo; meu eu mais sincero, em escolhas que façam sentido para mim, só para mim.
E, para encerrar, me visualize em posição de buda, sentado no tapete de yoga, mãos com as palmas para cima sobre os joelhos, peito aberto, respiração lenta e profunda… Lentamente… Deixando fluir, desconectando, reconectando…
Calma. Escuta. Respira…
Organização para o pertencimento.
Se chegou até aqui, talvez goste de ler e ouvir:



Adorei! Organização emocional, inclusive, ajuda a organizar o exterior de forma mais calma e possível! 💖